Twitter, parem de banir contas de garotas de programa, cam girls e atrizes pornô. #ÉTrabalhoDignoTambém!

Desde que entramos no Twitter, começamos a ouvir casos de contas suspensas de acompanhantes e clientes, até mesmo de cam girls e atrizes pornô.

A acompanhante de luxo @RangelCarlos93, que possui 152k seguidores no Instagram,  já teve quatro contas banidas, sendo que uma delas tinha mais de 80k seguidores. O consumidor @PuRodaMooca, que é super conhecido na comunidade do sexo pago, também perdeu uma conta com 32k seguidores, e mais recentemente outra com 24k seguidores.

Até a conta do @GuiaDelas, mencionada na matéria da Vice Brasil como uma conta criada com intuito de proteger as garotas, foi banida pelo Twitter.

Foi após o Tweet nesta segunda-feira dia 13 de Julho do @AndarilhoGP, o cliente de acompanhantes mais famoso do Brasil, que o Paradise Girl notou que precisamos dar um basta nesta situação.

Eu imagino a frustração que ele esteja passando, mas ao mesmo tempo, discordo que temos que nos dar por vencidos. 

Nós não vamos embora sem luta!

Foi pensando nisso que, em parceria com o Testosterona, decidimos abraçar esta causa. Outro grande parceiro que se agregou hoje a nosso projeto é o site ConfrariaRS. Neste artigo eu, Pedro Albuquerque, fundador do Paradise Girl, listei 4 motivos de porque o Twitter não deveria banir as contas de todos os envolvidos no entretenimento adulto.  

Além disso, também explico o que você consumidor, acompanhante ou site, pode fazer para mudar esta situação. Apoie o movimento e use a #ÉTrabalhoDignoTambém na tarde desta segunda-feira, dia 20 de Julho.

Finalmente, faço uma recomendação no final deste artigo de todas as medidas que esperamos que o Conselho de Trust & Safety do Twitter tome para passar a aceitar as profissionais do sexo no Twitter.

4 motivos pro Twitter parar de banir contas de todos os envolvidos no mercado de garotas de programa 

1. O Twitter permite o trabalho independente de garotas, para que elas não sejam exploradas por cafetões e boates

No Brasil, existem duas formas de uma garota trabalhar na profissão. A primeira é de forma dependente, onde a garota tem que cumprir horário e ordens da boate ou agenciador (cafetão), além de receber apenas parte do valor do programa (no caso de agenciadores). 

A segunda forma é o trabalho independente, que é possível apenas pela existência de ferramentas de divulgação, como sites de anúncios, redes sociais e até mesmo o boca-a-boca. E eu posso estar dando um tiro no pé aqui, mas anunciar em sites nem sempre é seguro. Vamos supor que você acabou de contratar um anúncio pelo período de 1 mês pelo valor de R$1.000, mas dias depois acabou ficando doente e não vai poder trabalhar. Não são todos os sites que fazem a devolução do dinheiro! Já o Twitter permite que as garotas divulguem seu trabalho de forma gratuita, assim como qualquer outro profissional autônomo.

Ali eu divulgo meu trabalho e tenho a oportunidade de interagir com clientes e outras meninas. Nossa, fiz várias amizades pelo twitter! Quando trabalho em outras cidades, 80% dos clientes vem pelo Twitter. Além disso, pelo Twitter recebo menos trotes e tenho certeza que todos os clientes são reais, então sinto que trabalhar pelo Twitter é mais seguro. É uma ferramenta necessária para a divulgação do meu trabalho. @CleoAlvessc

Em uma declaração ao jornal americano USA Today, a empresa Assembly Four alegou que expulsando profissionais do sexo do Twitter força muitas trabalhadoras sexuais à situações de exploração e risco de vida.

Twitter, vocês já pararam pra pensar no impacto que vocês causam ao banir do dia pra noite garotas que divulgam seus trabalhos exclusivamente pelo plataforma de vocês? Vocês conseguem enxergar o quão desesperador isso pode ser quando essas garotas tem as contas pra pagar no final do mês e seu único meio de marketing é eliminado porque alguém mal intencionado decidiu denunciar as contas dessas pessoas que não estão fazendo mal à ninguém?

Ah, nem sei o que dizer. Só que é f***! Quando minha primeira conta caiu, eu chorei! Cai, vou lá e crio outra. Resiliência!” @RangelCarlos93

2. O Twitter permite que estas garotas encontrem apoio emocional e sentimento de pertencimento

O Twitter também permite que as profissionais do sexo possam não só oferecer seus serviços, mas também trocar experiências com a comunidade. Esse suporte entre garotas e garotas, e entre garotas e clientes, é importantíssimo para oferecer apoio emocional para uma profissão que hoje é marginalizada na sociedade. 

Para muitas garotas, é muito difícil sentir que elas pertencem à sociedade com o abandono dos amigos e parentes. É através do Twitter que elas encontram aquele apoio emocional e sentimento de comunidade para continuar em frente.

3. Combate a informalidade e ao uso indevido de imagem

O Twitter também tem banido conta de clientes, que não tem nada a ver com a história. A plataforma é uma ferramenta poderosíssima no combate a informalidade deste mercado. Hoje muitas garotas anunciam com fotos fakes, ou sejas, fotos “roubadas” de outras garotas (que às vezes nem garota de programa são). Basta um membro da comunidade do Twitter postar que um anúncio é fake que rapidamente todos os membros da comunidade denunciam e a conta ou anúncio é retirado do ar.

O Twitter é a melhor forma de garantir que as profissionais que anunciam com as próprias fotos são recompensadas e que anúncios fakes e mal intencionados logo são retirados do ar.

Particularmente, acho uma das melhores ferramentas para escolher a acompanhante que se enquadra ao perfil de cada um, pois além de ter um vasto material fotográfico, conseguimos observar outros fatores que são determinantes na nossa escolha, como senso de humor, vocabulário, linha de raciocínio, simpatia e etc… @PuRodaMooca

No vídeo a seguir, me aprofundo um pouco mais sobre esse e outros assunto abordados no decorrer do artigo.

4. Se o Twitter não mudar suas políticas, logo vamos todos para o Instagram

Isso mesmo! Hoje já é possível ver um grande número de acompanhantes com contas no Instagram, e este número tem aumentado com a participação delas nas lives. 

No Instagram, as políticas são claras e inclusivas: basta não mostrar nudismo que está tudo certo. Até hoje não percebi nenhuma conta de acompanhante que tenha sido banida do Instagram.

Eu tinha muito mais seguidores no Twitter e tive várias quedas: perdi um com 60k de seguidores, outro com 12, outro com 5. Querendo ou não a rede social é uma ferramenta de trabalho, quem não é visto não é lembrado. Estou usando o Instagram agora, lá sabemos muito bem o que pode ou não ser postado. No Twitter é muito um mistério, do nada a conta cai. @FabiMorenno_

Entretanto, está evidente também que o Instagram nunca trará o mesmo sentimento de comunidade que existe no Twitter.

Nas outras redes, as interações são em menor escala. A menina entra, posta uma foto e some. @PuRodaMooca

Como você, leitor, pode fazer para mudar este cenário

A melhor maneira de sermos ouvidos nesse momento é fazermos um movimento para chegarmos aos trending topics (Assuntos do Momento) do Twitter e ganhar visibilidade nacional. Só assim os canais de mídia, como jornais e revistas, estarão cientes do nosso movimento.

Para nos tornarmos trending topics, precisamos que pelo menos 1.200 pessoas usem a hashtag em um período curto de tempo. Por isso pedimos que na tarde desta segunda-feira dia 20 de julho, entre meio dia e 7pm, todos que apoiam a causa sigam os dois passos abaixo:

1. Use a hashtag #ÉTrabalhoDignoTambém

Independente de você ser um cliente, profissional do sexo ou simpatizante, faça um Tweet com a hashtag #ÉTrabalhoDignoTambém, e toda vez que você for reportar algum abuso ou injustiça na indústria do entretenimento adulto, lembre-se de usar essa hashtag.

2. Espalhem a mensagem!

Convide seus amigos para participar deste movimento. Esta é a hora de nos unirmos e mostrarmos pro Twitter que queremos ser ouvidos.

Twitter, a política de vocês contra atividades ilegais está atingindo o serviço legalizado de prostituição!

Quando o Twitter suspende uma conta, a seguinte mensagem é exibida: 

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Na página de Regras do Twitter, a cláusula que poderia enquadrar o mercado do entretenimento adulto, ou mais especificamente, a prostituição, seria a seguinte:

Produtos ou serviços ilegais ou regulamentados: não é permitido usar nosso serviço para nenhuma finalidade ilegal ou como auxílio a atividades ilegais. Isso inclui venda, compra ou facilitação de transações em produtos ou serviços ilegais, bem como determinados tipos de produtos ou serviços regulamentados. Saiba mais.

Até aqui tudo bem. O Twitter não quer permitir nenhuma atividade ilegal na plataforma, e estamos de completo acordo com isso. O problema surge ao clicar em saiba mais:

Produtos ou serviços abrangidos por esta política incluem, mas não se limitam a:

  • produtos e serviços falsificados*;
  • medicamentos e substâncias controladas;
  • tráfego humano;
  • produtos feitos com espécies protegidas ou ameaçadas de extinção;
  • serviços sexuais;
  • produtos roubados; e
  • armas, incluindo armas de fogo, munição e explosivos, e instruções sobre como fabricar armas (por exemplo, bombas, armas impressas em 3D etc.)


É aí que entramos em um conflito de informações providenciadas pelo Twitter, uma vez que SERVIÇOS SEXUAIS NÃO SÃO ILEGAIS NO BRASIL! 

O Twitter não pode ter uma regra global para uma atividade que é legal em alguns países. Vamos usar a maconha como exemplo: Nos Estados Unidos, em muitos estados, o uso da Cannabis é legalizado, e por isso é possível encontrar perfis de negócios canabicos no Twitter, como o @MedMen e o @Eaze.

Mas no Brasil, maconha é ilegal. Porque o Twitter permite negócios canábicos no Twitter, que são ilegais no Brasil, mas não permite prostituição no Twitter, que é algo dentro da lei brasileira? Note que já existem diversos artigos dando suporte à negócios canábicos dentro do Twitter, como por exemplo esta matéria do CannabisMedia sobre como fazer marketing no Twitter.

O site ConfrariaRS, por exemplo, apesar de sempre ter muito engajamento tanto pelos usuários como das acompanhantes, já teve 15 contas suspensas até o momento. Para nenhuma conta foi dada algum tipo de justificativa, o que fez o site entrar judicialmente contra a plataforma no Brasil. 

“Buscamos um entendimento para que possamos estar presentes no Twitter e entender quais são as regras que devemos seguir. Esse processo irá trazer reflexos não só para nós, mas para todos no cenário de acompanhantes do Brasil.” @Confraria161

O que chama a atenção, entretanto, é que no Twitter do site @Skokka_BR, está explicito que eles também são um site de garotas de programa, e os mesmos possuem selo de verificação do Twitter, ressaltando ainda mais a falta de conformidade nas regras do Twitter.

O buraco é mais embaixo

Sim, entendemos que nos Estados Unidos, o ato de FOSTA-SESTA foi colocado em prática para prevenir o tráfico sexual. No Brasil, o tráfico de pessoas é feito em especial em regiões de com pobreza acentuada, onde o acesso ao Twitter seria muito mais restrito.

O que mais me decepciona é de saber que esta política não está prevenindo nenhum tráfico sexual no Brasil por uma questão de como funciona o processo de banimento de contas no Twitter. Para que o Twitter suspenda uma conta, duas coisas devem acontecer:

  1. Um número considerável de pessoas deve denunciar uma conta; e,
  2. A equipe do Twitter verifica se a conta realmente se trata de um perfil relacionado a prostituição – caso se confirme, a conta é suspensa

O que ninguém parou pra perceber é que as contas que são alvos de denúncias são as contas de quem tem muitos seguidores, e não a conta de supostos traficantes sexuais que jamais teriam um número grande de seguidores, pois todos que estão no Twitter sabem como a boa qualidade de atendimento e a postagem de conteúdo de qualidade é necessária para crescer o número de seguidores.

Em uma matéria da Vice Global foi mencionado os impactos negativos que são decorrentes do banimento de contas no Twitter. Ao entrar em contato com o Twitter e Instagram, ambas as plataformas deram respostas genéricas ao jornal americano.

Uma matéria na GirlBoss, comunidade focada no empoderamento feminino, é muito bem colocado que “ao invés de se lutar contra o tráfico sexual, governos vão focar em eliminar as trabalhadoras sexuais ao se fazer difícil, senão impossível, para que elas trabalhem com segurança – ou que sequer trabalhem.” 

Uma iniciativa americana que foi criada para acabar com o tráfico sexual está sendo utilizada como desculpa para sumir com as trabalhadoras sexuais de todas as redes sociais.

E parece que a perseguição é mais forte no Brasil. O blog do Testosterona já havia feito uma denúncia em Dezembro de 2018 sobre a exclusão de diversas modelos brasileiras do Instagram. O artigo mostra que as brasileiras postaram fotos idênticas à celebridades americanas e mesmo assim tiveram suas fotos removidas.

Como o processo de denúncia no Instagram é similar ao do Twitter, fica claro que este tipo de conteúdo está incomodando muitas pessoas, que acabam denunciando as fotos ao invés de simplesmente parar de seguir os criadores destes conteúdos.

É tempo para mudanças… não só no Twitter, mas em todas as redes sociais!

Mesmo que prostituição fosse ilegal, já estamos vivendo em tempos modernos onde esta perseguição social contra garotas de programa já está ultrapassada. É inconcebível que seja aceito perfis de sites pornô, como é o caso do @PornHub e @Brasileirinhas, e de sites de sexo ou garotas de programa virtual, como o @CameraPrive e @CameraHotCom. Mais do que isso, sites como @MeuPatrocinio, que focam em sugar babies, também são permitidos no Twitter.

Em todos os casos citados anteriormente, há sexo pago! Porque o sexo pago é aceito quando feito diante das câmeras (pornô), virtualmente (camgirls), e quando é pago em forma de mesadas (sugar babies)?

Na página de abordagem de elaboração de políticas e filosofia de medidas corretivas do Twitter é citado que o Twitter não tolera “comportamentos que perturbem, ameacem ou usem intimidação para silenciar a opinião alheia”. Mas ai eu te pergunto, Twitter… quem está sendo perturbado, ameaçado ou intimidado pelas garotas de programa?

Diferente da @GLOCKInc, que pode divulgar tranquilamente um produto que é feito para matar, as garotas de programa não desejam o mal de ninguém!

#ÉTrabalhoDignoTambém

Apoiadores desta causa

Rafaela Cavalcanti, do canal 0 Tabu

Yumi Villar, acompanhante de luxo e modelo

https://twitter.com/Yumi_villar/status/1285216945122533376

Private55, site de acompanhantes presente nas principais capitais brasileiras

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Top de Brasília, site de acompanhantes de luxo

Norah Cartier, acompanhante de luxo

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Pedro Albuquerque
Pedro Albuquerque
Fundador do Paradise Girl e consumidor do mercado de garotas de programa a mais de 5 anos. Entrou nesta vida em São Paulo, nas melhores boates e sites do Brasil, e teve experiências no Rio de Janeiro, Campinas, Florianópolis e até mesmo em Santiago, no Chile. Estudou engenharia na UFSC, trabalhou em consultoria de negócios e agora se dedica ao empreendedorismo!

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