Andressa Urach aumenta preconceito à prostitutas em novo clipe de música gospel

Andresa Urach, ex-garota de programa, lançou uma música gospel ilustrando sua vida antes e depois da prostituição. 

O que muita gente não percebeu é que Andressa Urach retrata sua vida na prostituição como pecadora, e generalizando todas as garotas de programa como ambiciosas e perdidas no mundo das drogas (que por sinal foi soletrado errado no clipe, como “drogras).

Hoje vou falar sobre o impacto negativo que Andressa Urach tem trazido para as garotas de programa, e como ela tem reforçado o preconceito com profissionais do sexo.

Vamos reconhecer os méritos

Minha função aqui não é descer o pau em cima da Andressa Urach, ou de desmerecer suas conquistas. 

Como acompanhante, acho que ela entendeu estratégias de marketing e conseguiu aplicar isso na sua profissão como acompanhante de luxo. Ela tinha tudo para ser a nova Bruna Surfistinha, se não fosse a complicação médica que teve.

Respeito ela, e fico feliz que ela tenha encontrado a felicidade – e uma forma de se sustentar – na igreja, e longe da prostituição. Fico muito feliz quando as acompanhantes do Paradise Girl conseguem sair dessa vida de forma digna e vitoriosa.

Acho que ela serve de exemplo para muitas garotas que de fato estão tentando seguir o mesmo caminho que o dela.

Vou além: Eu mesmo curti pra caramba a batida da música dela. Achei que ficou da hora mesmo, excelente trabalho!

Jogada de marketing: A conversão de Andressa Urach é uma farsa?

Se a conversão de Andressa Urach à igreja é jogada de marketing, não estou aqui pra julgar. Até o momento, estou dando o benefício da dúvida.

Entretanto, tem uma coisa que me deixou bastante encucado em uma entrevista que ela deu para o Léo Dias, quando ela fala sobre a doação dela.

Andressa: “Eu doei mais de 1 milhão e meio de reais. Tá no meu imposto de renda, eu tenho como provar.

Leo Dias: “Você doou pra onde? Você doou para quem?

Andressa: “Eu doei. Não importa pra quem eu doei, mas eu doei.”

Cara… quem é que faz doação em sigilo hoje? Qualquer um que tenha assistido Ozark no Netflix, ou até mesmo este episódio do grande Hasan Minhaj, sabe que doações é a melhor forma de driblar imposto de renda (confesso que não entendo em detalhes como se aplica a legislação brasileira para esta prática).

Mesmo que ela possa provar que a doação foi feita, ela consegue provar que esse dinheiro está sendo investido em causas sociais que de fato trazem benefício pra sociedade?  

Ou ainda melhor, eu desafio a Andressa Urach a usar parte destas doações para combater a prostituição infantil e o tráfico sexual. Muito melhor do que fazer doação para campanha de político ladrão, não é verdade? Porque não há nada que comprove que a doação não foi feita à algum político corrupto, ou até mesmo pro já muito rico, Silas Malafaia!

Demais comentários na entrevista da Andressa Urach que inferiorizam a profissão de garota de programa

“A coisa mais nojenta na época, que mais pagava, é você se submeter a urinar e defecar no cliente, ou vice-versa. Isso é horrível, é nojento, mas é a realidade de muitas pessoas”

Andressa Urach

Ok, ok, ela tem o direito de achar o que ela quiser. Mas acho que faltou muita maturidade pra falar que esse é um fetiche que muitas pessoas têm, ela gostando ou não. Da forma que foi falado (e com as expressões faciais que ela usou), ficou parecendo que aquilo era uma coisa doentia.

E eu sou da linha do “fetiche é como gosto, cada um tem o seu, e não deve ser tratado como doença” (naturalmente, há as exceções como pedofilia, zoofilia, etc). Inclusive, conheço algumas garotas de programa que adoram a prática de chuva negra e chuva dourada.

“Eu posei nua. Então pronto, era o que eu precisava pra aumentar meu cachê na prostituição […] Isso é vulgar, isso é chulo, isso é vergonhoso, eu me arrependo. De verdade, eu tenho nojo da velha Andressa”

Andressa Urach

Novamente. Se envergonhar da velha Andressa, ok, é um direito seu. Mas taxar todas as garotas que posam nuas como “chulo”, “vergonhoso”… Cara, tanta atriz da globo que já posou nua para Playboy. Quando é atriz da globo, pode posar nua, mas quando é garota de programa, é chulo e vergonhoso… não entendi…

“Me arrependo sim, porque é uma vergonha. Meu filho tem 15 anos, é um homem, e agora tem que ver aquela mãe que foi uma vergonha na rede social”

Andressa Urach

Quer dizer que toda mãe deveria se envergonhar de fazer programa? Uma coisa é você falar “eu estava errada porque fui ambiciosa e usava drogas.” Mas agora você está retratando como se prostituição fosse algo pra se ter vergonha.

O perigo nesse tipo de afirmação é reforçar que toda garota de programa deve ter vergonha de quem ela é. E quando você coloca a igreja no meio, fica pior ainda. Afinal, não é de hoje que a igreja justifica atos de repúdio e ódio contra garotas de programa dizendo que elas são pecadoras e merecem sofrer.

Porque eu idolatro a Bruna Surfistinha, mas discordo das idéias de Andressa Urach

As duas mulheres tem muita coisa em comum. Ambas ficaram famosas pois souberam implementar estratégias de marketing pessoal em sua profissão.

Além disso, as duas também passaram pelo lado ruim da prostituição, com o uso de drogas e realizando fetiches das quais elas não tinham prazer em realizar.

Entretanto, a forma que cada uma delas fala sobre a antiga profissão é completamente diferente. Raquel Pacheco (conhecida como Bruna Surfistinha), entende que prostituição é uma profissão como outra qualquer, e não julga os fetiches que já realizou como “doentios” ou “nojentos”.

Mais do que isso: enquanto Andressa Urach afirma que está a 3 anos sem transar, Raquel encara o sexo de forma aberta e sem tabus.

Veja a maturidade de Raquel Pacheco ao abordar o tema:

Fico feliz pela Andressa, mas me preocupo com o aumento do preconceito

Independente da vida dela na igreja ser jogada de marketing ou não, eu fico realmente feliz por ela. Como sou um cara de negócios, mesmo que tenha sido uma jogada de marketing, admiro como ela conseguiu sair de uma situação que impossibilitava ela de continuar trabalhando como garota de programa, para uma situação extremamente lucrativa, sem precisar usar o corpo.

Só acho preocupante ela generalizar a prostituição e diminuir as garotas de programa. Isso com certeza fará com que a sociedade feche novamente a cabeça para uma profissão que já existe a séculos, e continuará existindo!

#éTrabalhoDignoTambém 

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Pedro Albuquerque
Pedro Albuquerque
Fundador do Paradise Girl e consumidor do mercado de garotas de programa a mais de 5 anos. Entrou nesta vida em São Paulo, nas melhores boates e sites do Brasil, e teve experiências no Rio de Janeiro, Campinas, Florianópolis e até mesmo em Santiago, no Chile. Estudou engenharia na UFSC, trabalhou em consultoria de negócios e agora se dedica ao empreendedorismo!

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