Entenda o que é incel e a polêmica por trás do filme do Coringa

Se você assistiu o filme do Coringa e está super curioso pra entender a polêmica por trás do filme, este é o artigo certo para você. Vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre a relação do filme com a subcultura Incel, e o melhor: sem dar spoilers!

Confira os tópicos que vamos abordar:

O que é Incel, ou celibatário involuntário?

O termo Incel vem do inglês “involuntary celibates“, que significa celibatários involuntários. Celibatário significa alguém que não faz sexo, e por serem involuntários, isso significa que eles desejam ter sexo, porém não conseguem.

Bastante comum em fóruns gigantes como 4chan e Reddit, a subcultura Incel reúne homens heterosexuais, que se definem como incapazes de encontrar uma parceira, apesar de desejarem ter. A falta de aceitação dos incéis é atribuída à própria formação da sociedade, doenças físicas ou mentais dos incéis, e até mesmo extrema timidez e introversão.

Em teoria, esses fóruns seriam para falar abertamente com outras pessoas nas mesmas condições sobre solidão, inseguranças e possíveis frustrações. Ou seja, nada mais é do que um local para se sentirem acolhidos e saberem que não estão sozinhos. Porém, assim como no feminismo existem as “feminazis” que acabam trazendo uma má fama para o movimento, algumas pessoas do grupo Incel incitam não somente discurso de ódio como também misoginia (preconceito ou aversão às mulheres).

Atentados cometidos por pessoas da subcultura Incel

Como citado, muitas das vezes o caminho não é o do acolhimento, e sim da vingança à quem que estaria colocando os “Incels” na posição em que se encontram: a sociedade. 

Entre os mais famosos e recentes, podemos citar dois:

Califórnia, 2014: Elliot Rodger era somente um estudante de 22 anos que se identificava com a causa do grupo, até o dia em que surtou e matou 6 pessoas, além de ferir outras 14, em um ataque a sua universidade. Seu discurso era baseado em vingança da sociedade que lhe negava amor e sexo.

Toronto, 2018: Quando o ex-recruta militar Alek Minassian atropelou e matou 10 pessoas em Toronto, no Canadá, o mesmo fez questão de se intitular “Incel” e ainda citou o ocorrido acima em um post no Facebook.

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Calçada onde Alek subiu propositalmente dirigindo uma van alugada.

A polêmica do filme do Coringa (Joker)

Nascido da parceria entre o diretor Todd Phillips e o aclamado ator Joaquin Phoenix, Coringa (ou Joker, em inglês)  já chegou aos cinemas envolto de enormes polêmicas. O longa vem sendo acusado de irresponsabilidade, por estimular um comportamento tóxico e perigoso, glorificação da loucura e até mesmo à violência e realização de atos criminosos. 

O perfil do personagem é um homem branco furioso obcecado por validação da sociedade, que tem sido muito associado aos Incels. Isso fez com o vilão fosse posicionado como santo padroeiro da subcultura Incel.

O filme do Coringa realmente trás um comportamento agressivo?

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Na trama, Arthur Fleck é um palhaço solitário, sem dinheiro, amigos, amores e nada além do desprezo da sociedade. Ele sonha alcançar um novo patamar como comediante, porém ao longo de sua vida acaba sofrendo diversas violências físicas e psicológicas, que aliadas às suas doenças psiquiátricas e neurológicas, acabam moldando um cenário caótico.

Partindo do enredo acima, e por ser um filme de quadrinhos mais denso e pesado, é totalmente compreensível a construção do personagem. O que não significa compartilhar de um discurso de ódio.

O próprio diretor do filme citou a possível influência negativa como “uma terrível má interpretação do filme, mas que pode acontecer e não há como controlar”. Não encontramos uma descrição mais cabível do que essa!

Existem sim certas ligações com o comportamento “Incel”, isso é inegável, já que toda essa questão de vida às margens da sociedade existe em ambos os casos. Porém, querer fazer com que o vilão pague por crimes ocorridos fora de Gotham? Vamos com calma, é como culpar jogos de tiro por pessoas armadas que saem atirando bairro afora.

Você provavelmente já jogou, ou conhece alguém que joga os famosos jogos Grand Theft Auto ou Counter Strike, associados à extrema violência. Esses jogos não contribuem para uma sociedade mais violenta, isso é um fato!

Para complementar o assunto, temos um vídeo do vlogger Cauê Moura, que dissertou um pouco sobre essas questões, sem qualquer spoiler e de forma opinativa. Vale uma conferida:

Confissões de um Incel e o mundo das garotas de programa

A equipe do Paradise Girl entrevistou Silas Barboza, um Incel residente de São Paulo, capital. Frequentador do Casarão e outras boates de acompanhantes, Silas conta sua visão sobre a sociedade atual e explica porque cada vez mais homens buscam um estilo de vida de solteiro, recorrendo à acompanhantes quando há a necessidade de sexo. O texto à seguir é um resumo das opiniões de Silas, confira!

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Silas Barboza, de 33 anos, se considera um incel “blackpillado. Foto Ênio Cesar/Vice.

Conheça os alfas e betas da sociedade brasileira

Nos cenário atual, a infidelidade é altíssima, sempre aliada à promiscuidade. A formação dos betas (homens que são jogados para escanteio pela sociedade) se deu pela propagação de uma sociedade extremamente materialista, superficial. E quem são os alfas? Existem alguns perfis. Segue a lista com os nomes populares:

  • Alphas gerais: homens com grande poder financeiro
  • Alpha estilines: frequentadores de academia, sempre exibindo seus corpos para ganhar atenção das garotas 
  • Alpha drogais: zé droguinhas, pessoas que ganham popularidade por serem traficantes e sempre terem drogas para oferecer de graça para mulheres 
  • Alphas criminais: criminosos que ganham atenção por realizarem crimes
  • Alphas de popularidade: populares do Instagram, influenciadores e mini-celebridades

Os alfas representam 20% da sociedade, enquanto os 80% restante se conformam com o resto, ou seja, as mulheres que os alfas não estão interessados. Quem sustenta toda a base de consumo da noite (prostituição) são os betas. Há homens casados que buscam o serviço, mas é o homem beta que frequentemente recorre às boates. Tenho um amigo que sai com garota de programa quase todo dia. É ele que gera os ganhos desse entretenimento. 

O fator étnico acaba sendo preponderante na formação de betas no Brasil. Vivemos em uma sociedade “palmiteira”, uma sociedade com predileção para se relacionar com homens brancos. Muitos orientais, índios e negros acabam sendo jogados pra escanteio. O grupo de orientais são os maiores consumidores a noite, “pau-a-pau” com o grupo dos negros.

Hoje o grupo de gamers também está crescendo bastante, já que possuem dificuldade de se relacionar. Diversos síndromes e deficiências que dificultam a relação, além de sentirem dificuldade para frequentar bares e baladas. Hoje tem garota de programa que joga durante o encontro, dedicando uns 20 minutos pra jogar com você.

Os betas estão desistindo de tentar encontrar uma mulher e aderindo à um estilo de vida independente 

Hoje a sociedade ainda coloca a mulher como dependente de homens provedores. Não é a toa que ainda temos as alpinistas sociais, mulheres que buscam se casar com homens ricos para conquistar uma vida de luxo sem ter que batalhar por isso. Vivemos em uma tremenda crise financeira e temos um alto desemprego. Homens desempregados, ou até mesmo com baixos salários, não conseguem manter um relacionamento. 

Com esta geração materialista, acabam se formando casamentos artificiais. Por conta disso, o homem prefere buscar algo com um custo benefício melhor, ou seja, sair com garotas de programa. Hoje se você for bancar um namoro ou casamento, os custos são altos. Esse tipo de homem tem o princípio de não ser mais o provedor, diferente da nossa cultura de que o homem precisa manter uma família. Hoje pro homem sair com alguém, precisa levar para restaurante x, no motel y e dar o presente z. Quando ele faz o cálculo, ele pensa “meu, é muito mais barato contratar alguém pontual e acabou!”. 

Vou dar um exemplo meu: convidei uma mulher da empresa para um jantar, gastei R$450 e não dei nem um beijo. Hoje é exceção as mulheres que dividem a conta. O feminismo prega que a mulher se torne independente, vá para o mercado de trabalho, mas na hora de pagar a conta não é bem assim. E para contrastar, uma vez fui em um dos bares mais badalados aqui de SP com uma profissional da noite, e o garçom fez questão de tirar uma foto nossa porque fazia tempo que ele não via uma mulher ajudando a pagar a conta. É uma demonstração clássica que temos essa formação cultural forte.

A demanda por garotas de programa está cada vez mais alta!

A recente alta demanda por garotas de programa está fazendo com que elas tenham a oportunidade de inclusive dispensar alguns clientes nas boates, atendendo apenas quem lhes agrada.

Muita garota de barriga cheia, com muitos clientes. Isso faz com que até alguns betas sejam dispensados, como foi o caso do assassinato em Mato Grosso, no qual aparentemente a garota não atendeu um cliente por “ser muito feio”.

Nem todos estão buscando sexo, e as acompanhantes estão sendo cada vez mais procuradas apenas pela companhia

A tendência das garotas é de entrar para o ramo de acompanhantes. Nem todos estão ali para buscar sexo. Como a sociedade gera uma frieza e superficialidade, muitos homens buscam resolver o problema da solidão com uma companhia. Há dias que você está extremamente atribulado e precisa de alguém pra conversar, as vezes até mesmo para um conselho psicológico. 

Esta atividade vai se tornar uma consultoria. Daqui uns 10, 15 anos, se a sociedade continuar nessa corrente, os homens vão cada vez mais substituir relacionamentos monogâmicos por acompanhantes. Hoje é um pensamento extremamente contraditório, pois as pessoas imaginam que com o aumento da promiscuidade das garotas brasileiras, a procura por garotas de programa diminuiria. Mas as garotas só são fáceis para os alfas: se você é um beta, ainda precisa desembolsar algo. Nenhuma garota vai querer rachar um dogão na rua. 

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JP
JP
Nascido em meados da década de 90, escreve para sites e blogs desde 2009, abordando temáticas variadas da forma mais autêntica possível. Amante de música eletrônica, vida noturna e, o elemento não pertencente ao conjunto, cultura nerd.

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